Imunoterapia: novidades e resultados no câncer de mama

Postado em: 27/02/2026

Imunoterapia: novidades e resultados no câncer de mama

Nos últimos anos, os avanços da imunoterapia no câncer de mama passaram a ganhar cada vez mais espaço dentro da oncologia. Com isso, muitas pacientes começaram a se perguntar em quais situações esse tratamento pode ser indicado, quais resultados vêm sendo observados e como essa decisão é tomada na prática.

A imunoterapia não é exatamente uma novidade. O que mudou foi a forma como ela passou a ser aplicada no câncer de mama, com critérios mais definidos, exames específicos e evidências mais sólidas sobre quais pacientes podem se beneficiar.

Neste conteúdo, você vai entender o que os estudos mais recentes mostram, em quais subtipos a imunoterapia tem apresentado melhores resultados e quais fatores o oncologista avalia antes de indicar esse tratamento.

O que realmente mudou com os avanços da imunoterapia no câncer de mama?

Durante muitos anos, a imunoterapia teve aplicação limitada no câncer de mama. Esse cenário começou a mudar com estudos que demonstraram benefícios mais consistentes em grupos específicos de pacientes.

Hoje, uma das principais estratégias envolve a combinação entre imunoterapia e quimioterapia, especialmente em tratamentos realizados antes da cirurgia, no chamado cenário neoadjuvante.

Os resultados mais relevantes apareceram em tumores com características moleculares específicas. Em alguns desses grupos, os estudos mostraram aumento da resposta ao tratamento, maior chance de controle da doença e melhora de desfechos clínicos em casos selecionados.

Outro avanço importante ocorreu no tratamento da doença metastática, quando o câncer já se espalhou para outros órgãos. Nesses casos, a imunoterapia também passou a ter um papel mais definido para determinados perfis tumorais.

Isso não significa que a imunoterapia seja indicada para todas as pacientes. O principal avanço foi justamente identificar quem realmente pode se beneficiar dessa estratégia.

Em quais subtipos do câncer de mama a imunoterapia tem mostrado mais resultados?

Câncer de mama triplo-negativo

O câncer de mama triplo-negativo é o subtipo com maior evidência de benefício com imunoterapia até o momento. Esse tipo de tumor representa cerca de 15% dos casos e não responde à hormonioterapia nem às terapias anti-HER2, o que reduz as opções terapêuticas disponíveis.

Nesse contexto, os chamados inibidores de checkpoint imunológico demonstraram resultados importantes quando associados à quimioterapia. A expressão do marcador PD-L1 é um dos principais critérios avaliados para considerar essa abordagem.

A imunoterapia pode ser utilizada antes da cirurgia, no tratamento neoadjuvante, e também em casos de doença avançada ou metastática, sempre com base em critérios clínicos e moleculares individualizados.

HER2-positivo e tumores luminais: o que ainda está em estudo

Nos tumores HER2-positivos e nos tumores luminais, a imunoterapia ainda não faz parte do tratamento padrão na maioria dos casos.

Mesmo assim, estudos seguem investigando combinações com terapias-alvo, hormonioterapia e outros medicamentos imunológicos. Os resultados iniciais são promissores em grupos específicos, mas ainda não existem evidências suficientes para ampliar o uso de forma generalizada.

Como o oncologista avalia se a imunoterapia pode ser considerada?

A indicação da imunoterapia depende de uma avaliação individualizada. Não existe um protocolo único válido para todas as pacientes.

Entre os principais fatores analisados pelo oncologista estão:

  • Subtipo molecular do tumor: triplo-negativo, HER2-positivo ou luminal;
  • Estágio da doença: se é inicial, localmente avançado ou metastático;
  • Expressão de PD-L1: marcador que pode indicar maior probabilidade de resposta;
  • Estado geral de saúde da paciente: condições clínicas que influenciam a tolerância ao tratamento;
  • Resultados de exames moleculares e anatomopatológicos.

Essa análise integrada permite definir se existe benefício potencial, além de avaliar segurança e tolerância ao tratamento.

Quais exames e biomarcadores são importantes nessa decisão?

A decisão sobre o uso da imunoterapia depende de exames que ajudam a entender o comportamento biológico do tumor.

Os principais exames utilizados incluem a imuno-histoquímica, que avalia proteínas expressas pelo tumor, e testes moleculares que analisam características genéticas das células tumorais.

PD-L1: o que significa resultado positivo ou negativo

O PD-L1 é uma proteína que pode estar presente nas células tumorais ou nas células do sistema imunológico ao redor do tumor. Quando esse marcador está positivo, pode existir maior chance de resposta à imunoterapia em alguns contextos clínicos.

Os medicamentos imunoterápicos atuam justamente bloqueando mecanismos que impedem o sistema imunológico de reconhecer e combater as células cancerosas.

Mesmo assim, o resultado positivo do PD-L1 não é o único critério considerado. Pacientes com resultado negativo também podem ser avaliadas em situações específicas, dependendo do contexto clínico e das opções terapêuticas disponíveis. Outros biomarcadores, como carga mutacional tumoral, também podem ser analisados em alguns casos.

Quais costumam ser os próximos passos após a indicação da imunoterapia?

Quando indicada, a imunoterapia normalmente faz parte de um plano terapêutico combinado. Na maioria dos casos atuais, ela é utilizada junto com a quimioterapia.

Durante o tratamento, o acompanhamento inclui exames periódicos para avaliar a resposta tumoral, acompanhamento clínico contínuo e monitoramento de possíveis efeitos colaterais.

Os efeitos adversos da imunoterapia podem ser diferentes dos observados na quimioterapia, já que o tratamento atua diretamente no sistema imunológico. Por isso, o acompanhamento próximo da equipe médica é fundamental.

FAQ — Perguntas frequentes

A imunoterapia substitui a quimioterapia?

Na maioria dos casos, não. Atualmente, a imunoterapia costuma ser utilizada em combinação com a quimioterapia para potencializar a resposta ao tratamento em pacientes selecionadas.

Imunoterapia é indicada apenas para doença metastática?

Não. Em alguns casos específicos, como no câncer de mama triplo-negativo em cenário neoadjuvante, a imunoterapia também pode ser utilizada antes da cirurgia.

Os resultados são iguais para todas as pacientes?

Não. A resposta depende de fatores como subtipo tumoral, expressão de biomarcadores, estágio da doença e características clínicas individuais.

Quando conversar com uma oncologista sobre imunoterapia

Os avanços da imunoterapia no câncer de mama ampliaram as possibilidades de tratamento para alguns perfis tumorais específicos. Mas a indicação correta depende de uma avaliação criteriosa, baseada em exames, características moleculares e contexto clínico individual.

Se você recebeu um diagnóstico recente, está avaliando opções de tratamento ou quer entender se a imunoterapia pode fazer sentido para o seu caso, conversar com uma oncologista com certificação em câncer de mama é o melhor caminho para esclarecer dúvidas e tomar decisões com mais segurança. Agende uma consulta com a Dra. Anezka Ferrari.

Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta médica.


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