A imunoterapia representa uma das maiores revoluções da oncologia nas últimas décadas. Em vez de atacar diretamente o tumor, ela trabalha com o próprio sistema imunológico da paciente para que ele reconheça e combata as células cancerosas. Os resultados em determinados tipos de tumor foram tão expressivos que mudaram os protocolos de tratamento em todo o mundo.

A Dra. Anezka Ferrari é oncologista clínica e realiza avaliação individualizada para pacientes que podem ter indicação deste tratamento. Durante a consulta, são considerados o diagnóstico, os exames realizados, o estágio da doença, os biomarcadores do tumor, tratamentos anteriores e as condições clínicas do paciente.

O que é a imunoterapia

A imunoterapia é uma modalidade de tratamento que utiliza medicamentos para potencializar a resposta imunológica do organismo contra o tumor. Os cânceres, com frequência, desenvolvem mecanismos para se esconder do sistema imunológico. Os principais medicamentos usados em imunoterapia, chamados inibidores de checkpoint, bloqueiam esse mecanismo de camuflagem e permitem que as células de defesa identifiquem e ataquem o tumor.

Quando pode ser indicada

A imunoterapia é indicada em tumores que expressam determinadas proteínas ou características moleculares que a tornam mais eficaz. É utilizada no tratamento de câncer de pulmão, mama triplo negativo, bexiga, melanoma, cólon com instabilidade de microssatélites, ovário e outros tumores. Em alguns casos é usada isoladamente; em outros, combinada com quimioterapia ou terapia alvo-molecular.

Como funciona na prática

A administração é feita por via intravenosa, em sessões que costumam durar entre 30 minutos e algumas horas, com intervalos de duas a quatro semanas dependendo do medicamento. Diferentemente da quimioterapia, os efeitos colaterais imediatos costumam ser menores, mas o acompanhamento clínico é igualmente importante. A resposta ao tratamento pode ser avaliada por exames de imagem realizados ao longo dos ciclos.

Benefícios e pontos de atenção

A imunoterapia pode gerar respostas duradouras, inclusive em tumores avançados, e tem perfil de toxicidade diferente da quimioterapia convencional. O ponto de atenção é que, por estimular o sistema imunológico, pode causar inflamações em órgãos saudáveis, efeito conhecido como toxicidade imunomediada, que exige reconhecimento precoce e manejo adequado.

Efeitos colaterais e acompanhamento

Os efeitos mais comuns incluem:

  • Fadiga
  • Reações cutâneas (coceira, erupções)
  • Alterações tireoidianas
  • Inflamação intestinal (colite)
  • Pneumonite imunomediada
  • Alterações hepáticas

A maioria dos efeitos é controlável quando identificada precocemente. O acompanhamento regular com exames laboratoriais e consultas é parte essencial do tratamento.

Como a Dra. Anezka avalia esse tratamento

A indicação de imunoterapia não é universal: depende de testes específicos feitos no tumor, como a expressão de PD-L1 e a análise de instabilidade de microssatélites. Só faz sentido indicar imunoterapia para quem tem perfil molecular favorável a esse tipo de resposta. Ela faz essa avaliação com base nos dados do tumor de cada paciente e acompanha de perto os efeitos imunomediados ao longo do tratamento, que podem surgir em qualquer momento, inclusive meses após o início.

Dúvidas frequentes

Não. A eficácia depende das características moleculares do tumor. Alguns respondem muito bem; outros, pouco ou nada. Por isso, a indicação precisa ser baseada em testes específicos.

Em alguns casos, sim. Em outros, as duas são usadas juntas. A decisão depende do tipo de tumor, do estadiamento e do perfil molecular da doença.

Em geral, os efeitos imediatos são mais toleráveis. Mas a imunoterapia tem seus próprios riscos, especialmente as inflamações imunomediadas, que exigem atenção e acompanhamento especializado.