Imunoterapia para o câncer de mama: mitos vs. fatos
Postado em: 25/02/2025
Nos últimos anos, a Imunoterapia tem se destacado como uma das estratégias mais promissoras no tratamento do câncer de mama. Esse método estimula o sistema imunológico a reconhecer e combater as células cancerígenas de forma eficaz.

Apesar dos avanços, ainda existem muitos mitos sobre a imunoterapia. Algumas pacientes acreditam que ela pode substituir a quimioterapia, enquanto outras pensam que é indicada para todos os tipos de câncer de mama. Mas o que realmente é verdade?
Neste artigo, vou esclarecer os principais mitos e fatos sobre a imunoterapia no tratamento do câncer de mama. Acompanhe e veja as respostas para as dúvidas mais comuns que recebo no consultório sobre essa abordagem inovadora.
Mitos e verdades sobre a imunoterapia no câncer de mama
A imunoterapia tem sido um dos avanços mais comentados na oncologia, trazendo novas possibilidades para o tratamento do câncer de mama. No entanto, muitas dúvidas ainda cercam essa abordagem, levando a informações incorretas. A seguir, respondo 10 mitos e verdades sobre o tema:
Mito 1: A imunoterapia substitui completamente a quimioterapia.
Fato: A imunoterapia não substitui a quimioterapia, mas pode ser combinada a ela para potencializar os resultados. No câncer de mama, especialmente em casos triplo-negativos, a imunoterapia é utilizada com frequência junto à quimioterapia para aumentar a eficácia do tratamento.
Mito 2: A imunoterapia é indicada para todos os tipos de câncer de mama.
Fato: Nem todas as pacientes podem se beneficiar da imunoterapia. Esse tratamento é mais indicado para casos de câncer de mama triplo-negativo com expressão do marcador PD-L1 ou alta carga mutacional. Cada caso deve ser avaliado individualmente por um oncologista clínico para definir a melhor abordagem.
Mito 3: A imunoterapia não tem efeitos colaterais.
Fato: Embora provoque menos efeitos colaterais do que a quimioterapia, a imunoterapia pode gerar reações adversas. Entre os efeitos mais comuns estão fadiga, alterações na pele e reações autoimunes, quando o sistema imunológico ataca células saudáveis do próprio organismo.
Mito 4: Os resultados da imunoterapia são imediatos.
Fato: A imunoterapia não tem efeito imediato. Seu mecanismo de ação estimula o sistema imunológico ao longo do tempo, o que significa que os resultados podem levar algumas semanas ou meses para serem percebidos. O acompanhamento médico contínuo é essencial para avaliar a resposta ao tratamento.
Mito 5: Se a imunoterapia não funcionar em um primeiro momento, ela nunca mais será uma opção.
Fato: A resposta ao tratamento pode variar ao longo do tempo. Em alguns casos, ajustes na estratégia terapêutica, como a combinação com outras drogas, podem aumentar a eficácia da imunoterapia. Novas pesquisas estão em andamento para expandir suas indicações e melhorar os resultados para mais pacientes.
Mito 6: A imunoterapia sempre apresenta bons resultados no câncer de mama.
Fato: Embora a imunoterapia tenha revolucionado o tratamento oncológico, sua eficácia varia de acordo com as características do tumor e da paciente. No câncer de mama, a melhor resposta ao tratamento é observada em tumores triplo-negativos com expressão do PD-L1. Entretanto, nem todas as pacientes desse grupo respondem da mesma forma, e algumas podem necessitar de abordagens combinadas para obter melhores resultados.
Mito 7: A imunoterapia cura o câncer de mama sozinha.
Fato: A imunoterapia é um avanço importante, mas dificilmente é usada como tratamento único. Na maioria dos casos, ela é combinada com quimioterapia ou terapias-alvo, que atuam diretamente em mecanismos específicos das células tumorais. Essas combinações potencializam os resultados e aumentam as chances de resposta ao tratamento.
Mito 8: Pacientes em estágio inicial do câncer de mama não podem fazer imunoterapia.
Fato: Embora seja mais comum em tumores avançados ou metastáticos, a imunoterapia pode ser indicada em casos iniciais, principalmente quando o tumor tem mais de 2 cm ou há comprometimento dos linfonodos. Nessas situações, ela pode ser utilizada como tratamento neoadjuvante (antes da cirurgia), combinada à quimioterapia.
Mito 9: A imunoterapia tem os mesmos efeitos colaterais da quimioterapia.
Fato: Os efeitos colaterais da imunoterapia são diferentes dos da quimioterapia. Enquanto a quimioterapia pode causar queda de cabelo, náuseas e redução da imunidade, a imunoterapia pode desencadear reações autoimunes, como inflamações na pele, nos pulmões e no intestino. Cada paciente pode reagir de maneira diferente, por isso, o acompanhamento médico é essencial.
Mito 10: Se uma paciente não responde à imunoterapia, não há mais opções de tratamento.
Fato: Caso a imunoterapia não funcione como esperado, outras estratégias podem ser utilizadas, como a combinação com novas drogas alvo-dirigidas ou outras terapias sistêmicas. A oncologia está em constante evolução, e pesquisas continuam trazendo novas alternativas para o tratamento do câncer de mama.
Imunoterapia no câncer de mama: tire suas dúvidas
A imunoterapia tem revolucionado o tratamento do câncer de mama, mas sua indicação depende das características de cada paciente e deve ser avaliada com critério pelo oncologista.
Se você quer saber se essa abordagem é adequada para o seu caso, agende uma consulta comigo. Estou à disposição para esclarecer suas dúvidas e definir a melhor estratégia para o seu tratamento, com um acompanhamento personalizado e especializado.
Dra. Anezka Ferrari
Oncologista Clínica
CRM-SP: 124895 | RQE: 121013
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