A radioterapia é um dos tratamentos mais antigos da oncologia e continua sendo um dos mais eficazes. Com a evolução tecnológica, tornou-se muito mais precisa: a radiação é direcionada ao tumor com uma exatidão que minimiza o impacto nos tecidos saudáveis ao redor. Em muitos protocolos de tratamento, é uma etapa essencial para reduzir o risco de recidiva local.
A radioterapia utiliza radiação ionizante de alta energia para danificar o DNA das células tumorais e impedir que elas continuem se multiplicando. Pode ser aplicada de forma externa, com equipamentos que direcionam a radiação para o tumor de fora do corpo, ou de forma interna, com fontes radioativas posicionadas dentro ou próximas ao tumor, técnica conhecida como braquiterapia. A escolha depende do tipo e da localização do tumor.
A radioterapia é indicada em uma variedade ampla de situações: após cirurgia conservadora de mama para eliminar células residuais, como tratamento principal em tumores inoperáveis, para controle de metástases ósseas ou cerebrais, em combinação com quimioterapia em tumores do colo do útero, reto e pulmão, e de forma paliativa para alívio de sintomas em doenças avançadas.
O tratamento é feito em sessões diárias, geralmente de segunda a sexta-feira, com duração de poucos minutos cada. O número total de sessões varia conforme o objetivo do tratamento e o protocolo utilizado, podendo ir de cinco a trinta e cinco sessões, em média. Antes do início, é feito um planejamento detalhado por imagem para mapear o campo de irradiação com precisão. O procedimento em si é indolor.
A radioterapia moderna é altamente localizada, o que reduz muito o impacto sobre tecidos saudáveis. É um tratamento eficaz tanto com intenção curativa quanto paliativa. O ponto de atenção é o efeito cumulativo da radiação na região tratada, que pode causar reações locais e, em longo prazo, alterações nos tecidos irradiados, dependendo da dose e da localização.
Os efeitos dependem da região irradiada, mas os mais comuns incluem:
O acompanhamento durante o tratamento radioterápico é feito em conjunto com o radioterapeuta. Meu papel é integrar esse cuidado ao plano oncológico geral da paciente.
A indicação de radioterapia é discutida em conjunto com o radioterapeuta, dentro de uma abordagem multidisciplinar. Meu papel é avaliar se a radioterapia está indicada para aquele caso específico, em qual momento do tratamento e com qual objetivo, e garantir que a paciente entenda o que esperar de cada etapa. Acompanho os efeitos colaterais e coordeno o cuidado clínico durante o período de irradiação.
Não. A radioterapia externa não deixa radiação residual no corpo. A paciente pode ter contato normal com outras pessoas, incluindo crianças, durante o tratamento.
As sessões em si são indolores. Os efeitos colaterais, como irritação da pele ou fadiga, podem causar desconforto, mas o procedimento de irradiação não provoca dor no momento da aplicação.
Sim, em alguns casos os dois tratamentos são feitos de forma concomitante para aumentar a eficácia. Essa combinação exige acompanhamento clínico mais próximo por causa da toxicidade somada.